Um blog feminino nada feminista. Será?
  • … nos tempos da Amélia.

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    Há tempos atrás li um texto, um verdadeiro desabafo de uma mulher em crise de stress. Achei tão interessante que não queria perde-lo.  Na época eu dei um ctrlC ctrlV e enviei para mim mesma no email. 

    Não me lembro onde foi que eu li, e é uma pena que além que não ter salvo a fonte, o texto também não tinha referencia de quem era a autoria.

     Hoje acordei meio mal, apesar de ter ido dormir cedo, acordei cansada e com dor de cabeça, me lembrei desse pequeno tesouro que deixei salvo na minha caixa de emails.. (se alguém souber a origem dele me avise que terei o maior pazer em referenciar)..

    Cuidado para ler e desanimar.. hoje ainda é segunda feira … 

     

    São 7h. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede.
    Estou TÃO acabada, não queria ter que trabalhar hoje. Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando até. Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas.
    Aquário? Olhando os peixinhos nadarem. Espaço? Fazendo alongamento. Leite condensado? Brigadeiro. Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro para funcionar.
    Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher, e por quê ela fez isso conosco, que nascemos depois dela. Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, freqüentando saraus… A vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária. Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã, tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre “vamos conquistar o nosso espaço”. Que espaço, minha filha? Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo ao seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos…, que raio de direitos requerer?
    Agora eles estão aí, todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz. Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim. E nos lançando no calabouço da solteirice aguda.
    Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard do vôlei - e olhe lá, porque naquela época não existia Bernard e, se duvidar, nem vôlei.
    Por quê, me digam, por quê um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o “macharedo”? Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso. Tava na cara que isso não ia dar certo. Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, que sapatos, acessórios, que perfume combina com o meu humor, nem de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas. Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especializações. Viramos supermulheres, continuamos a ganhar menos do que eles.
    Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço? Chega!, eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela - ai, meu Deus, 7h 30min, tenho que levantar!, - e tem mais, que chegue do trabalho, sente no sofá, coloque os pés para cima e diga: “meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?”, descobri que nasci para servir. Vocês pensam que eu estou ironizando? Estou falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna… Troco pelo de Amélia. Alguém se habilita?

    Beijos.

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7 Responses to “… nos tempos da Amélia.”

  1. olha eu muito queria voltar pra época em que todas as meninas aprendiam ballet, piano e francês.

    mas eu malemá sei fritar um ovo :(

  2. Uma coisa eu concordo. Nessa a gente se ferrou. A gente trabalha, mas continuamos a cuidar da casa, dos filhos e do marido. Mas agora temos nossa liberdade. Aliás, nem sei viu? Mulher que num casa e num tem filhos é encalhada e seca.
    Realmente num sei oq é melhor ou pior.

  3. Olá, amei o texto. Também procurei pelo autor e não encontrei.

    Visitem meu blog. Acho que tem com o de vcs.

    bjusss

  4. Cada um cada um e tal, mais que a argumentação dela foi realmente convincente foi.

  5. Nana.. fiquei na duvida! .. Acho que saimos perdendo :(

    Balzaks, gostei muito do seu Blog.. estou me divertindo lendo os textos :D

    Rick, a parte triste é que a argumentação foi convincente d+ … :)

    Beijos!

  6. [...] Post relacionado - “…nos tempos da Amélia” [...]

  7. Bons tempos mesmo..As mulheres não podiam votar, ter uma conta bancarária viajar sozinhas. Uma mulher com qualquer ambição intelectual era condenada a uma vida de tédio, sem direito a educação superior (queriam estudar matemática, filosofia ou medcina? Não, vai ficar em casa bordando). Não existia direito de escolhas sobre ter filhos ou não, casar ou não. Não podia fumar, dirigir ou se realcionar sexualmente antes do casamento..
    Ô saudades que me dá!
    Vontade de ser um objeto decoratico do marido (para ele exibir para os amigos). Para quê ter um bom trabalho, ambição, faze faculdade?
    Vai ler, suas burrinhas: http://feminista.wordpress.com/

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